—Pois custou-me a dar co’esta casa. Perguntei ao Sampaio, o famulo. E venho cá por um motivo muito grave.
—Oh! com seis centos!—exclamou o capellão. Talvez algum caso de consciencia. O homem é fraco, bem sei. Eu absolvo-te, diz da tua vida, bezerro.
—Não, não é isso. Tenho uma festa de Passos, coisa rica. Paga lá um meu parochiano, um brazileiro. Quero que tu pregues.
—Quando é? Na quarta dominga? Tenho que fazer, vou aos de Bouro.
—Não principies já com lonas. É na terceira dominga, homem.
—Então posso.
—Mas Souséca! eu quero um sermão novo em folha. Posso-te dar quinze moedas.
O padre Silvestre reflectiu e disse:
—Valeu. Escrevo hoje mesmo ao Germano, o Germano das bochechas grandes. Conhecel-o? Quero que elle me empreste um que lhe enviaram do Porto e que fez grande barulho em Guimarães quando lá o pregou, ha dois annos.
—Mas, porque é que tu não o escreves? Com o teu talento...