—Já me tardavas, maroto!—disse. Vou-te mandar pôr a ceia. Ó rapariga!—gritou para cima—Elle cá está.

No alto da escada, appareceu a Joanna, de lenço vermelho cruzado sobre os seios magnificos, e expondo, á vista de todos, a optima carne dos seus braços.

—Então uma fornada, ein?—perguntou o pregador.

—Não ha remedio senhor reverendo capellão. A gente hade comer. Estou a mettel-a no forno. Desculpe recebel-o assim.

Mas o padre Silvestre não era de ceremonias. Estava acostumado. Em casa de sua mãe, nos tempos felizes em que vivera na aldeia, era a mesma coisa. O trabalho primeiro que tudo. Faz a gente forte. Deu-lhe um abraço de satisfação, fazendo muito gosto em sujar o capote, sobre o lenço enfarinhado e os braços roliços, cheios de massa. A rapariga riu estrondosamente, entregando-se-lhe com facilidade. O abbade, fingindo-se suspeitoso, observou:

—Cautelinha, cautelinha, sôr Souséca!...

Tudo era levado á boa parte e sem malicia. O padre Silvestre pediu tamancos e meias de lã, que tinha os pés gelados. Oito horas de diligencia e a cavallo era de morrer. Se viesse alguma chuva não faria mal nenhum, pois amaciava.

—Não imaginas abbade, como elle corta lá em cima, ao dobrar o monte.

—Imagino, imagino. Bastas vezes o tenho levado pela fucinheira. Mas toma lá uns soccos e as meias e vem pr’o lume. Ceia-se alli mesmo.