—Não quero, não rendo!

—Á terceira nós veremos—afirmou de novo o Agrella, que estava certo do que se passara entre o José Cancella e o pregador.

O padre Silvestre investiu no ultimo pedido, dando-lhe a forma de objurgatoria. Para ser mais solemne, começou em tom simples, subindo gradualmente até ao intimativo.

Já via na fronte do Centurião um principio d’arrependimento. O grande Deus ia feril-o com um d’esses raios de divina omnipotencia, como ferira Paulo na estrada de Damasco, como ferira o impio Agostinho, e o proprio Moisés na montanha. Não podia consentir-se que vivesse entre christãos, uma alma peccadora e impenitente. A conversão havia de dar-se a preço da propria morte, porque o Senhor usa de todos os meios, para chamar a si as almas!

O filho do Cancella, perseguido d’ameaças, não se commoveu. Porém, quando o pregador o equiparou aos grandes santos, já parecia amollecido no seu espirito de resistencia. O povo chorava e clamava em altos gritos, o peito enchia-se-lhe de ternura e arrependimento. Talvez fosse melhor acabar com aquillo, prostrar-se por terra, como tinha promettido. O pregador mudou o lenço para a direita e concluiu com voz energica e grave:

—Abre esses olhos peccador! Rende-te Centurião!

—Agora!—intimou o Agrella.

O chefe da guarda romana fixou no pulpito um olhar atrevido. Julgou-se indigno da fama que tinha de valente se obedecesse á voz do Agrella. O vinho dava-lhe coragem e audacia. Tomando a lança ás duas mãos, bateu uma forte pancada no pavimento e respondeu ao pregador:

—Tenho-os bem abertos. Não me rendo! Não e não! Obrigue-me!