Comprimentaram-se com sorriso desdenhoso e n’esse instante abriu-se entre elles uma lucta colossal.
Estavam quasi a mesma distancia. Approximarem-se atabalhoados era inconveniente. Tanto um, como outro comprehenderam a gravidade do momento. O peixe era um só e decerto não teria a condescendencia de pegar nos dois anzoes ao mesmo tempo. O padre João humildou-se. Fez ao inimigo um signal em que pedia uma tregua, com o fim de parlamentarem. As circumstancias exigíam prudencia e ambos se afastaram da margem, para virem á falla.
O padre disse primeiro:
—Assim não póde ser, morgado. Nem p’ra mim, nem p’ra Vossa Senhoria!
—Que quer você que lh’eu faça? O rio não é grande?
—Mas a truta é uma, e se vamos á porfia escapule-se. Vossa Senhoria sabe que ella está alli.
—Palavra que não! Porque diabo não está você a dar aula aos seus rapazes?!
O sacerdote, zangado comsigo por lhe ter denunciado a truta, não pôde supportar-lhe a censura:
—E porque diabo não está o senhor a dormir a sua sesta! Ora é muito fina!