Estavam furiosos um contra o outro; mas a occasião era inopportuna para se descomporem. N’esse momento, juncto da pedra branca, a superficie do rio enrugou-se, a agua espadanou e um peixe enguliu um insecto que vinha nadando.
—Seria ella?—rugiu o D. Luiz, com vontade de matar o padre.
—Ná...—opinou este fazendo-se forte—Ella ha de fazer mais mossa.
No fundo ambos acreditaram que podia ser. «Maldito sotaina!» «Maldito barbaças!»—insultaram-se mentalmente.
—Bem—disse o padre. Dois ao mesmo tempo é que não póde ser. Quer Vossa Senhoria que se tire á sorte quem ha-de ir?
—Valeu—concordou o fidalgo.
D. Luiz tirou um pataco do bolso e perguntou:
—Cruzes ou cunhos?
—Cruzes que eu sou padre. Agora trapaceie, se lhe parece.