O instincto obrigou-o a ser generoso. Gritou ao D. Luiz:

—Agora é não a deixar fugir.

—Elle é o deixa—respondeu com orgulho, o da Torre Velha.

Começou a lucta heroica entre o fidalgo e o peixe. O animal era valente, podia quebrar a sedela, se o quizesse tirar sofregamente do rio. Tambem podia acontecer rasgar-se-lhe o beiço ou metter-se debaixo d’alguma lapa, se não tomasse precauções. Para obstar aos inconvenientes era indispensavel cançal-o, com paciencia e perspicacia. Por isso D. Luiz attrahiu-o a um logar conhecido, e alli o deixou rabear, defendendo-lhe o mysterioso poço, onde a truta se podia enredar n’alguma raiz. Puchava-a vagaroso e com delicadesa, consentia-lhe prudentes guinadas para o largo, dava-lhe linha calculadamente.

Ao fim de cinco minutos, tanto o fidalgo como o padre João, reconheceram que o peixe estava prompto. Condescendia, deixava-se ir para onde o levassem, mostrava-se fatigado e manso.

O sacerdote, já resignado, seguia todas as manobras sem rancor.