—Ande que apanhou—disse. Puche-a para perto e deite-lhe a mão debaixo d’agua, se não, ainda a vê por um oculo.
O D. Luiz aproveitou o conselho.
Attrahiu manhosamente o peixe ao sopé do muro, para que lhe ficasse debaixo d’um terrouço. Depois desceu; deitou-se de barriga, tão baixo que as barbas lhe tocavam na agua; introduziu um braço, guiando-se pela sedela; e, quando conheceu que lhe tinha um dedo na guelra, disse victorioso:
—Esta já não foge, padre! Que bruta que ella é!
Retirou o braço da agua, ergueu-se, ficando com o peixe pendente.
—Olhem o que é! Um barbo!... um peixe reles!—exclamou o sacerdote.
D. Luiz da Torre Velha, assim ludibriado pelo acaso, teve a ideia de atirar com o barbo á cara do padre! Porem era uma injustiça—considerou. Que culpa tinha de tudo isto o mestre de latim?! O seu abatimento, gerado na fatal desillusão era patente. Pegou na canna, na sedela, no cacifre, no peixe e... zaz!... atirou tudo ao meio do rio.
—Nunca mais! Póde ter a certeza de que nunca mais volto a isto—affirmou retirando-se.
Abril—85.