—Para a guardar juncta com outras.

Ambrosio observou escarnecendo:

—Não acredito que faças bom negocio. Pelo que dizem os padres, a minha alma não presta. Dou-ta, mas has-de trazer-me aqui o moleiro pelo cachaço, e depois de bem amarrado e preso, deixares-me fazer o que eu quizer. Mas quero-o bem amarrado e preso, porque tenho medo, entendes?

—Se entendo!... E só queres isso?

—Se perguntas é porque estás em maré de franquesa. Então vá lá: Quero ser rei; ter muito dinheiro, muitos palacios, muitas cidades, muitos cavallos, coisas ricas para comer.

—Só isso?

—Co’a breca! Muito boa deve ser a minha alma para ti. Olha, já que offereces, quero uma sanfona, para tocar aos ouvidos de minha mulher, quando ella estiver a resmungar... Tu sabes; ás vezes leva noites inteiras ... ron-ron-ron... ron-ron-ron...

—E por quanto tempo desejas tudo isso?

—Essa agora é que nem parece sua, seu diabo! Isso por muito tempo.

—Não posso dar-te tudo por mais de cinco minutos.