—Cá me parece sovinice. Cinco minutos não é nada.
—É tempo bastante de gosares todas as coisas que pedes e de te aborreceres de todas ellas.
Ambrosio deu uma estrondosa gargalhada, que encheu todo o valle, repercutindo-se nos reconcavos visinhos. O diabo acrescentou:
—É como te digo. N’esse ponto te mostrarei o meu grande poder. Um minuto basta para eu fazer passar na tua vida, todas as grandesas da terra. Outro minuto para percorreres todas as grandes cidades do mundo. O terceiro minuto para tocares sanfona a tua mulher e ella morrerá de desespero. O quarto para matares com toda a pachorra o moleiro.
—E o quinto?—perguntou Ambrosio.
—Esse é para te aborreceres.
—Como tu és grande, diabo!—disse o velho enthusiasmado. Acceito.
—Deixa tirar uma gotta de sangue das tuas veias. Com esta penna de mocho, molhada no teu sangue, has-de pôr o teu nome n’este livro.
O inimigo do moleiro sentiu uma picada no sangradouro e logo o seu nome appareceu brilhante como o fogo, na pagina onde o escrevera, obrigado por uma força irresistivel.