E n'isto correram aos empurrões para a loja, e entraram em desordem por causa de um pão de assucar que as meninas queriam ter na sua cozinha e o irmão não queria que se tirasse da loja. A questionar e a gritar entraram as meninas na loja, e muitos dos vidros do dôce foram deitados ao chão: o menino cheio de colera correu á cozinha e deitou tudo ao chão, e quebrou{18} a bonita louça que lá havia. Então foram tantos os gritos e queixas que Thomé e Joanninha não quizeram vêr mais.
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Tardou muito tempo que elles podessem tornar a vêr pelo vidro. Quando chegou a occasião, o que viram foi um lindo quarto e uma mesa com quinquilherias, bolos dôces, uma bella torta, confeitos e pasteis. Estavam lá duas meninas, e parecia que era o dia dos annos de uma, que era a que tinha recebido todas aquellas cousas. Não ralhavam nem se zangavam uma com a outra como tinham feito os outros meninos, mas tambem não se podia dizer que tinham boa saude e que estavam satisfeitas. Dizia uma:
—Que te parece, Emma, vamos comer um bocadinho da tua torta?
—Eu não, Sophia; antes queria maçans.
—Maçans! pois tu não sabes que o senhor doutor prohibiu que comessemos fructa?
—Ah! tambem a torta me faz mal, e a avó foi que m'a mandou; e os dôces fazem-me doer os dentes e foram mandados pela tia.
—Então vamos brincar para o jardim, tornou Sophia.
—Pois sim, vamos; e levo o meu chapéo novo. Iam para sahir quando appareceu a mãi e perguntou:
—As meninas onde querem ir?