—Vamos só um bocadinho para o jardim, maman.{19}
—Deus nos livre d'isso: no jardim está um vento muito frio e a terra muito humida. Nada, nada. Emma viria de lá com dôres de dentes e Sophia com a tosse. Deixem-se estar aqui. Eu vou levar d'aqui para fóra todas estas cousas, porque já comeram muito, e Sophia devia agora tomar o seu remedio.
A menina Sophia fez uma careta de enjôo quando ouviu fallar no remedio. Joanninha não quiz esperar até que elle chegasse e deixaram tristes o vidro e a caixa.
Não faltava a Thomé e a Joanninha que dizer e em que pensar a respeito do que tinham visto.
—Diz-me cá, Thomé, perguntou Joanninha, parece-te que são infelizes todos os meninos que vivem no mundo?
—Não, acudiu logo Thomé, eu acho que não póde ser. Se o principe não vivesse tão só...
—Isso sim; e se os filhos dos ciganos tivessem bons pais; e se os tres irmãos não tivessem tão mau genio; e se as meninas não fossem doentes... Olha, quem é bom e de bom genio e tem saude, vive contente.
—Mas quem é pobre e só como nós? perguntou Thomé.
E Joanninha não soube o que havia de responder-lhe.
—