—Ora quem!... o Belchior.
—O Belchior!... exclamou Malvina rindo-se muito.—Estás cassoando; falla serio, quem é?...
—É o Belchior, senhora; fallo serio.
—Mas esperas acaso, que Isaura queira casar-se com aquelle monstrengo?
—Se não quizer peor para ella; não lhe dou a liberdade, e ha-de passar a vida enclausurada e em ferros.
—Oh!... mas isso é demasiada crueldade, Leoncio. De que serve dar-lhe a liberdade em tudo, se não lhe deixas a de escolher um marido?... Dá-lhe a liberdade, Leoncio, e deixa ella casar-se com quem quizer.
—Ella não se casará com ninguem: irá voando direitinho para Pernambuco, e lá ficará muito lampeira nos braços de seo insolente taful, escarnecendo de mim...
—E que te importa isso, Leoncio?—perguntou Malvina com certo ar desconfiado.
—Que tenho!...—replicou Leoncio um pouco perturbado com a pergunta.—Ora que tenho!... é o mesmo que perguntar-me se tenho brio nas faces. Se soubesses como aquelle papalvo provocou-me atirando-me insultos atrozes!... como desafiou-me com mil bravatas e ameaças, protestando que havia de arrancar Isaura ao meo poder. Se não fosse por tua causa, e tambem por satisfazer os votos de minha mãe, eu nunca daria a liberdade a essa escrava, embora nenhum serviço me prestasse, e tivesse de tratal-a como uma princeza, só para quebrar a prôa e castigar a audacia e petulancia desse impudente rufião.
—Pois bem, Leoncio; mas eu entendo que Isaura mais facilmente se deixará queimar viva, do que casar-se com Belchior.