—Muito bem, Isaura; mostras que és uma rapariga docil e de juizo. André, vae chamar aqui o senhor Belchior. Quero eu mesma ter o gosto de annunciar-lhe, que vae emfim realizar-se o seo sonho querido de tantos annos.

Creio que o senhor Miguel tambem não ficará mal satisfeito com o arranjo que damos a sua filha; sempre é alguma cousa sahir do captiveiro e casar-se com um homem branco e livre. Antes assim do que fugir, e andar foragida por esse mundo. Isaura, para prova de quanto desejo o teo bem, quero ser madrinha neste casamento, que vae pôr termo a teos soffrimentos, e restabelecer nesta casa a paz e o contentamento, que ha muito tempo della andavão arredados.

Ditas estas palavras, Malvina abrio um cofre de joias, que estava sobre uma mesa, e delle tirou um rico collar de ouro, que foi collocar no pescoço de Isaura.

—Acceita isto Isaura,—disse ella,—é o meo presente de noivado.

—Agradecida, minha boa senhora,—disse Isaura, e acrescentou em seo coração;—é a corda, que o carrasco vem lançar ao pescoço da victima.

Neste momento vem entrando Belchior acompanhado por André.

—Eis-me aqui, senhora minha,—diz elle,—o que deseja deste seo menor creado?

—Dar-lhe os parabens, senhor Belchior,—respondeo Malvina.

—Parabens!... mas eu não sei por que!...

—Pois eu lhe digo; fique sabendo que Isaura vae ser livre, e ... adivinhe o resto.