—Boa occasião para gracejos!... deixe-me, senhor!... que infamia!... que vergonha para nós ambos?...
—Mas emfim não te explicarás?
—Não tenho que explicar; o senhor bem me entende. Só tenho que exigir...
—Pois exige, Malvina.
—Dê um destino qualquer a essa escrava, a cujos pés o senhor costuma vilmente prostrar-se: liberte-a, venda-a, faça o que quizer. Ou eu ou ella havemos de abandonar para sempre esta casa; e isto hoje mesmo. Escolha entre nos.
—Hoje!?
—E já!
—És muito exigente e injusta para commigo, Malvina,—disse Leoncio depois de um momento de pasmo e hesitação.—Bem sabes que é meo desejo libertar Isaura; mas acaso depende isso de mim sómente? É a meo pae, que compete fazer o que de mim exiges.
—Que miseravel desculpa, senhor! seo pae já lhe entregou escravos e fazenda, e dará por bem feito tudo quanto o senhor fizer. Mas se acaso o senhor a prefere a mim....
—Malvina!... não digas tal blasphemia!...