—Caludo!—murmurou Miguel, levando o dedo á boca e apontando para Leoncio.—Trata-se da tua liberdade.
—Devéras meo pae!... mas como poude arranjar isso?
—Ora como?!... a peso de ouro. Comprei-te, minha filha, e em breve vás ser minha.
—Ah! meo querido pae!... como vmce. é bom para sua filha!... se soubesse, quantos hoje já me vieram offerecer a liberdade!... mas por que preço! meo Deos!... nem me atrevo a lhe contar. Meo coração adivinhava, continuou beijando com terna efusão as mãos de Miguel;—eu não devia receber a liberdade senão das mãos daquelle, que me deo a vida!...
—Sim, querida Isaura!—disse o velho apertando-a contra o coração.—O céo nos favoreceo, e em breve vás ser minha, minha só, minha para sempre!...
—Mas elle consente?... perguntou Isaura apontando para Leoncio.
—O negocio não é com elle, é com seo pae, a quem agora escreve.
—Nesse caso tenho alguma esperança; mas se minha sorte depender sómente daquelle homem, serei para sempre escrava.
—Arre! com mil diabos!... resmungou comsigo Leoncio levantando-se, e dando sobre a mesa um furioso murro com o punho fechado.—Não sei que volta hei-de dar para desmanchar esta inqualificavel loucura de meo pae!
—Já escreveste, Leoncio?—perguntou Malvina voltando-se para dentro.