Antes que Leoncio pudesse responder a esta pergunta, um pajem, entrando rapidamente pela sala, entrega-lhe uma carta tarjada de preto.
—De luto!... meo Deos!... que será!—exclamou Leoncio, palido e trémulo, abrindo a carta, e depois de a ter percorrido rapidamente com os olhos lançou-se sobre uma cadeira, soluçando e levando o lenço aos olhos.
—Leoncio! Leoncio!... que tem?... exclamou Malvina palida de susto; e tomando a carta que Leoncio atirára sobre a mesa, começou a ler com voz entre-cortada:
«Leoncio, tenho a dar-te uma dolorosa noticia, para a qual teo coração não podia estar preparado. É um golpe, pelo qual todos nós temos de passar inevitavelmente, e que deves suportar com resignação. Teo pae já não existe; sucumbio ante-hontem subitamente, victima de uma congestão cerebral...»
Malvina não poude continuar; e nesse momento esquecendo-se das injurias e de tudo que lhe havia acontecido naquelle nefasto dia, lançou-se sobre seo marido, e abraçando-se com elle estreitamente, misturáva suas lagrimas com as delle.
—Ah! meo pae! meo pae!... tudo está perdido!—exclamou Isaura, pendendo a linda e pura fronte sobre o peito de Miguel.—Já nenhuma esperança nos resta!...
—Quem sabe, minha filha!—replicou gravemente o pae.—Não desanimemos; grande é o poder de Deus!...
Capitulo VII.
Na fazenda de Leoncio havia um grande salão toscamente construido, sem forro nem soalho, destinado ao trabalho das escravas, que se occupavão em fiar e tecer lã e algodão.
Os moveis deste lugar consistião em tripeças, tamboretes, bancos, rodas de fiar, dobadouras, e um grande tear collocado a um canto.