—Ora! pois quem mais ha-de ser?...
—A escrava fugida?!...
—A escrava fugida, sim, senhores!... e ella está ali dansando.
—Ah! ah! ah! ora vamos ver mais esta, Martinho!... até onde queres levar a tua farça? deve ser galante o desfecho. Isto é impagavel, e vale mais que quantos bailes ha no mundo.
—Se todos elles tivessem um episodio assim, eu não perdia nem um.—Assim clamavão os moços entre estrondosas gargalhadas.
—Vocês zombão?—olhem que a farça cheira um pouco a tragedia.
—Melhor! Melhor!—vamos com isso, Martinho!
—Não acreditão?... pois escutem lá, e depois me dirão que tal é a farça.
Dizendo isto, Martinho sentou-se em uma cadeira, e desdobrando o annuncio, pôz-se em attitude de lêl-o. Os outros se agrupárão curiosos em torno delle.
—Escutem bem,—continuou Martinho—Cinco contos!—eis o titulo pomposo, que em eloquentes e graúdos algarismos se acha no frontispicio desta obra immortal, que vale mais que a Iliada de Camões...