—Isso nunca!...—replicou Alvaro terminantemente.
Conservárão-se todos silenciosos por alguns momentos. Alvaro parecia reflectir.
—Occorre-me um expediente,—disse elle ao ouvido de Geraldo,—vou tental-o.
E sem esperar resposta approximou-se de Martinho.
—Senhor Martinho,—disse-lhe elle,—desejo dizer-lhe duas palavras em particular, com permissão aqui do doutor.
—Estou ás suas ordens,—replicou Martinho.
—Estou persuadido, senhor Martinho,—disse-lhe Alvaro em voz baixa, tomando-o de parte,—que a gratificação de cinco contos é o motivo principal que o leva a proceder desta maneira contra uma infeliz mulher, que nunca o offendeo. Está em seo direito, eu reconheço, e a somma não é para desprezar. Mas se quizer desistir completamente desse negocio, e deixar em paz essa escrava, dou-lhe o dobro dessa quantia.
—O dobro!... dez contos de réis! exclamou Martinho arregalando os olhos.
—Justamente; dez contos de réis e hoje mesmo.
—Mas, senhor Alvaro, já empenhei minha palavra para com o senhor da escrava, dei passos para esse fim, e...