—Que importa!... diga que ella evadio-se de novo, ou dê outra qualquer desculpa...

—Como, se é tão publico que ella se acha em poder de Vª. Sª.?...

—Ora!... isso é sua vontade, senhor Martinho; pois um homem vivo e atilado como o senhor embaraça-se com tão pouca cousa!...

—Vá feito,—disse Martinho depois de reflectir um instante.—Já que Vª. Sª. tanto se interessa por essa escrava, não quero mais affligil-o com semelhante negocio, que a dizer-lhe a verdade bem me repugna. Acceito a proposta.

—Obrigado; é um importante serviço que vae me prestar.

—Mas que volta darei eu ao negocio para sahir-me bem delle.

—Veja lá; sua imaginação é fertil em recursos, e ha-de inspirar-lhe algum meio de safar-se de difficuldades com a maior limpeza.

Martinho ficou por alguns momentos a roer as unhas, pensativo e com os olhos pregados no chão. Por fim levantando a cabeça e levando á testa o dedo indice:

—Atinei!—exclamou.—Dizer que a escrava desappareceo de novo, não é conveniente, e iria comprometter a Vª. Sª., que se responsabilizou por ella. Direi sómente, que bem averiguado o caso, reconheci que a moça, que Vª. Sª. tem em seo poder, não é a escrava em questão, e está tudo acabado.

—Essa não é mal achada ... mas foi um negocio tão publico...