Parece vingar a interpretação que attribue ao sr. ministro das finanças a qualidade de portuguez.
(Dos jornaes)
—Contente que nem um rato, não é verdade?
—Não sei porquê...
—Não sabe porquê? Pois você chega ao ultimo quartel da vida sem saber de que terra é, e d'um momento para outro, sem trabalho nem canceiras, apparece cidadão d'um paiz glorioso, e guindado ás maiores culminancias sociaes, e ainda pergunta porque deve estar contente?
—Por certo. Não sendo d'uma patria determinada, eu podia tirar muito proveito de todas, conforme as circumstancias.
—Mas os seus direitos...
—Perdão; os meus direitos são os meus interesses, dada a minha qualidade de homem de negocios. Ter um certo direito, significa apenas, no meu entender, a faculdade de realizar um certo{46} lucro, da mesma fórma que ter uma certa obrigação significa uma perda. A equação da vida commercial faz-se com estes dois termos—ganhos e perdas.
—Está muito bem; mas parece-me que sob todos os pontos de vista o amigo ganhou.
—Isso é conforme. A operação, considerada nos seus resultados immediatos, e não olhando para além do momento actual, é de resultados vantajosos; mas...
—Mas...