Passa hoje o primeiro anniversario deste jornal, dia propicio á comemoração dos que foram nossos companheiros de lucta, e hoje luctariam comnosco, se a morte os tivesse poupado.
(«A Lucta»).
Morrer, dormir, sonhar quem sabe!...
A fogueira crepita no meio do bosque sagrado, e o ramalhar das folhas, cortando o silencio augusto d'uma noite de luar, é como a prece erguida aos céus por milhares de labios virginaes.
Morrer, dormir!...
Em volta ha uma turba alegre, como se alli fosse realizar-se um ágape festivo, os esponsaes d'uma nobre castellã com o pagem dos seus sonhos, reluzente de pedrarias, esplendido de mocidade.
Dormir, sonhar!...
A fogueira crepita erguendo uma chamma cónica{51} de uma regularidade geometrica, e um fumozinho branco, muito tenue, muito esparso, é como um boccado de gaze que alli estivesse preso á chamma, tocando-lhe sem se inflammar.
Morrer, dormir, sonhar, quem sabe!...
E mal o cadaver pousa na fogueira, crepitante e rútila no meio do bosque sagrado, logo sobre elle se lança aquella virgem loira e meiga, que uns padres druidas estavam ha pouco dispondo para a viagem de que não se volta.