—Se não quizer que seja assim...

—Como será então?

—Então... será peior!{76}


O teu amor e uma cabana!

Fôra uma loucura aquelle amor.

Tinham-se encontrado na Figueira, estava ella a banhos, e elle fôra alli de visita a uns parentes da Bairrada, que não via desde annos. Como se andassem pelo mundo á procura um do outro, apenas se viram uma manhã, na Praia, amaram-se doidamente, e foi milagre que não desatassem logo a tagarelar, tu cá, tu lá, e tomassem banho juntos.

Á noite, no Casino, a indispensavel apresentação, e logo se seguiu um pas de quatre, em que os dois eram eximios. Marchou aquillo tão depressa, que já eram noivos quando regressaram ao Porto, onde ella tinha os paes e elle o emprego, um modesto emprego de despachante, que lhe rendia vinte mil réis por mez.

Todas as noites ia falar-lhe, já recebido como da familia e sempre a encontrava encostada a uma pequenina mesa quadrada, um livro de versos na{77} mão esquerda, marcando a pagina com o dedo, e em toda a sua gracil pessoinha um ar de alheiamento e de sonho, que o fazia estacar á entrada da sala, n'um extase de devoto.

—Que languidez, Virgem Santa!