Como todos os bons cidadãos quizeram sacrificar-se na presidencia da Republica, houve necessidade de não crear essa funcção, e isso se fez por consenso unanime, cada um não querendo para os outros o que não poderia haver para si.

Alvitrou-se a anarchia, mas como viesse a reconhecer-se, ao cabo de longa discussão, que no relogio do tempo ainda não tinha soado essa hora{96} suprema d'amor e de justiça, tratou-se de eleger um governo, como nas outras republicas.

Um velho de aspecto venerando, com um saber só de experiencias feito, propoz que na constituição do governo entrassem elementos novos e aguns dos antigos homens de governo, já com pratica de negocios publicos.

—Os cidadãos que approvam esta proposta ergam as duas mãos.

Como se visse no ar uma floresta de mãos:

—Approvada por unanimidade.

Logo uma voz se ergue, fazendo-se ouvir em toda a vasta assembléa:

—Eu voto contra. No governo só deve entrar gente nova.

O homem que assim falava protestando com energia, era o cidadão que fôra rei, o que deu logar a esta observação do presidente.

—Mas o cidadão, quando era monarcha...