O rei podia impôr-se por um acto de abnegação e patriotismo, acceitando a Republica.

(D'um jornal republicano).

Era um povosinho pacato, que moirejava nas suas terras, sempre alegre, sempre satisfeito, sem recordações tristes do passado, sem apprehensões pelo futuro.

Enlevava-se na contemplação do mar, quando elle era sereno, e como se esquecesse então, os olhos pregados na sua superficie espelhenta e lisa, os ladrões aproveitavam-se daquella especie de somno hypnotico para lhe aligeirarem os bolsos.

Bem se importava elle com isso! Tirava da terra, quasi sem esforço, tudo quanto lhe era necessario, e ainda lhe ficava muito tempo para se enlevar como um sabeista, na contemplação dos astros, de dia piscando os olhos aos raios d'um sol que não queima, de noite como a querer enchel-os d'um luar que adormenta.{95}

Era feliz.

Os outros invejavam aquella tranquillidade paradisiaca, alguns milhões de bananas governados consoante a rima, e com um rei côr de laranja.

Succedeu, porém, que um dia, no meio d'aquelle povo pacato que moirejava nas suas terras, sempre alegre, sempre satisfeito, sem recordações tristes do passado, sem apprehensões pelo futuro, caiu uma semente de revolta, que logo germinou e fortificou, avassallando todos os espiritos. Áquella gente pacifica repugnavam os actos violentos, e só comprehendia que se derramasse sangue para fazer cabidela, ou então para evitar congestões, quando assim o entendesse a medicina.

Mas havia o rei...

Foi então que um patriota, inspirado como um propheta antigo, teve uma ideia genial, um pensamento sublime—convidar o rei a adherir. Elimina-se o rei e cria-se um cidadão, exclamava com muita eloquencia, pondo arrepios de commoção na espinha de todos os ouvintes.

S. M. adheriu.