—Tu que fizeste ao cavallo!

—Nada, meu general.

—É mentira. Eu conheço-o muito bem. Que lhe fizeste?

—Saberá V. Ex.ª que elle estava a comer a ração, e vou eu, por brincadeira, mexi-lhe na barriga.

—Pois ahi está. Não se mexe na barriga de quem come.

Era um grande philosopho, o general.{13}


Uma sogra nem de barro á porta.

Andava elle pelo Algarve a tratar de negocios, quando o chamaram a Lisboa, por telegramma, com a maxima urgencia. Não lhe diziam do que se tratava; mas, como era o medico quem lhe telegraphava, ficou n'um susto de morte, calculando que ou a mulher ou o filho se encontrasse gravemente doente. Pouco habituado a ser feliz, imaginou logo o peor.

O primeiro comboio partia d'alli a doze horas e, como ainda pudesse servir-se do telegrapho, correu a pedir informações. Disseram-lhe que era a sogra que adoecera no mesmo dia em que elle deixára Lisboa, e que a doença se aggravava de momento para momento, receando-se um desenlace fatal. N'um grande ah! de allivio e satisfação, como precisava de assignar uma escriptura dahi a tres dias, foi-se deixando ficar, pedindo que o informassem, por via telegraphica e postal, dos progressos da doença.{14}