Seria então um peccador, o seu filhinho.
Quantas creanças por esse mundo além, morrem sem baptismo, quasi ao nascer, pequeninos botões de rosa, que não chegam a abrir, porque a aragem soprou mais forte e os lançou por terra!... O espirito d'estes anjinhos irá então soffrer as torturas do purgatorio, espiando uma culpa que não tinham, purificando-se de um mal que não fizeram?
Se o seu filho morresse perderia a crença em Deus, e se pudesse acreditar que a alma das creanças, mortas antes de baptizadas não ascende directa e immediatamente á vista do Altissimo, radiosa como um olhar da Virgem Mãe, negaria a justiça divina, muito peor que a dos homens...
Mas então o santo sacramento do baptismo nada mais será que uma mentira?...
... Envolto em rendas, a dormir na sua canastrinha, o petiz estremeceu, e ella ficou suspensa na corrente dos seus pensamentos, enlevada na contemplação d'aquella esculptura minuscula, de formas harmoniosas, que dir-se-ia modelada por Donatello, a copiar Frei Angelico, n'um vago presentimento da Renascença.
No dia seguinte lá foi o petiz a baptizar.{121}
Um rapaz da Beira, allegando que o pae é pobre, furou a greve, pelo que foi espancado á porta ferrea.
(Dos jornaes).
Nunca fôra á escola.
Os filhos da gente pobre não teem o direito de ser creanças, e os paes d'elle eram pobresinhos. Aos sete annos já era um valor, em linguagem de economistas. Fazia dó ver o garotito queimando os musculos tenrinhos n'um trabalho com que não podia. Mas os paes d'elle eram tão pobres!...