Tão linda!

Mas parecia-lhe, quando a beijava, que ella tinha as faces quentes dos beijos que outro lhe dera.—As plantas venenosas nunca deviam ser bellas, attrahindo para matar—nem as mulheres bellas deviam ser perfidas, como se um tigre habitasse no calice branco d'um lirio, ou uma cobra se escondesse entre as folhas d'uma rosa!

Tão linda!{131}


Souvent femme varie
Bien fou qui s'y fie...

—Tontinho!

—Imaginas, então, que eu poderia viver sem ti, privada dos teus beijos, sem a loucura das tuas caricias! Arranca a planta pela raiz, e diz-lhe depois que floresça e fructifique, que erga os braços onde não circula a seiva, offerecendo aos reverberos d'um sol quente e luminoso as suas folhas mirradas, d'um amarello chlorotico, que precede a morte decisiva...

—Tontinho!

—Já me afizera ás fatalidades do meu destino, e habituada a olhar nas trevas, a cerração da minha noite parecia-me ás vezes que tinha vagos lampejos d'aurora, as incertas claridades d'um crepusculo. Acreditei nas tuas palavras, e logo senti quente o sangue que se me gelava nas veias, e o coração inquieto, na desenvoltura d'um passaro que apanha a gaiola aberta, pulsar com{132} força desusada, no alvoroço d'uma alegria doida.

—Tontinho!