—Passados amores?—
Animas-te, dizes
Não sei que terrores…

Fraquinha, deliras.
—Projectos felizes?—
Suspiras. Expiras.

Na cadeia os bandidos presos!
O seu ar de contemplativos!
Que é das feras de olhos acesos?!
Pobres dos seus olhos captivos.

Passeiam mudos entre as grades,
Parecem peixes n'um aquario.
—Campo florido das Saudades
Porque rebentas tumultuario?

Serenos… Serenos… Serenos…
Trouxe-os algemados a escolta.
—Extranha taça de venenos
Meu coração sempre em revolta.

Coração, quietinho… quietinho…
Porque te insurges e blasfemas?
Pschiu… Não batas… De vagarinho…
Olha os soldados, as algemas!

FINAL

Ó cores virtuaes que jazeis subterraneas,
—Fulgurações azues, vermelhos de hemoptyse,
Represados clarões, chromaticas vesanias—,
No limbo onde esperaes a luz que vos baptise,

As palpebras cerrae, anciosas não veleis.

Abôrtos que pendeis as frontes côr de cidra,
Tão graves de scismar, nos bocaes dos museus,
E escutando o correr da agua na clepsydra,
Vagamente sorris, resignados e atheus,