Floriram por engano as rosas bravas
No inverno: veio o vento desfolhal-as…
Em que scismas, meu bem? Porque me callas
As vozes com que ha pouco me enganavas?
Castellos doidos! Tão cedo cahistes!…
Onde vamos, alheio o pensamento,
De mãos dadas? Teus olhos, que um momento
Prescrutaram nos meus, como vão tristes!
E sobre nós cahe nupcial a neve,
Surda, em triumpho, petalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos…
Em redor do teu vulto é como um veo!
¿Quem as esparze—quanta flôr—, do ceo,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabellos?
E eis quanto resta do idyllio acabado,
—Primavera que durou um momento…
Como vão longe as manhãs do convento!
—Do alegre conventinho abandonado…
Tudo acabou… Anemonas, hydrangeas.
Silindras,—flôres tão nossas amigas!
No claustro agora víçam as ortigas,
Rojam-se cobras pelas velhas lageas.
Sobre a inscripção do teu nome delìdo!
—Que os meus olhos mal podem solletrar,
Cançados… E o aroma fenecido
Que se evola do teu nome vulgar!
Ennobreceu-o a quietação do olvido.
Ó doce, ingenua, inscripção tumular.
Singra o navio. Sob a agua clara
Vê-se o fundo do mar, de areia fina…
—Impeccavel figura peregrina,
A distancia sem fim que nos sepára!
Seixinhos da mais alva porcelana,
Conchinhas tenuemente côr de rosa,
Na fria transparencia luminosa
Repousam, fundos, sob a agua plana.