Se ouvírá tocar a rebate
Sobre a planicie abandonada?
E sahiremos ao combate
De cota e elmo e a longa espada?

Quando iremos, tristes e sérios,
Nas prolixas e vãs contendas,
Soltando juras, improperios,
Pelas divisas e legendas?

E voltaremos, os antigos
E purissimos lidadores,
(Quantos trabalhos e perigos!)
Quasi mortos e vencedores?

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E quando, ó Dôce Infanta Real,
Nos sorrirás do belveder?
—Magra figura de vitral,
Por quem nós fomos combater…

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dôr me fere, em busca de um abrigo;
E apesar d'isso, crê! nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz comtigo.

Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos romanticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do Cantico dos canticos.

Se é amar-te não sei. Não seí se te idealiso
A tua côr sadia, o teu sorriso terno,
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de inverno.

Passo comtigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro o olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jámais de te beijar na bôca.

Eu não sei se é amor. Será talvez começo…
Eu não sei que mudança a minha alma presente…
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.