Quando voltei encontrei os meus passos
Ainda frescos sobre a humida areia,
A fugitiva hora, reevoqueia,
—Tão redíviva! nos meus olhos baços…
Olhos turvos de lagrimas contidas.
—Mesquinhos passos, porque doidejastes
Assim transviados, e depois tornastes
Ao ponto das primeiras despedidas?
Onde fostes sem tino, ao vento vario,
Em redor, como as aves n'um aviario,
Até que a azita fôfa lhe falleça…
Toda essa extensa pista—para quê?
Se ha-de vir apagar-vos a maré,
Como as do novo rasto que começa…
Imagens que passaes pela retina
Dos meus olhos, porque não vos fixaes?
Que passaes como a agua crystallina
Por uma fonte para nunca mais!…
Ou para o lago escuro onde termina
Vosso curso, silente de juncaes,
E o vago mêdo angustioso domina,
—Porque ides sem mim, não me levaes?
Sem vós o que são os meus olhos abertos?
—O espelho inutil, meus olhos pagãos!
Aridez de successivos desertos…
Fica sequer, sombra das minhas mãos,
Flexão casual de meus dedos incertos,
—Estranha sombra em movimentos vãos.
POESIAS
Quando se erguerão as setteiras,
Outra vez, do castello em ruina,
E haverá gritos e bandeiras
Na fria aragem matutina?