Oh philosophia das mulheres, tu és sobre todas a melhor das philosophias! A teu respeito poderia eu escrever este capitulo XIII, que ficaria sendo um capitulo de abalo no espirito publico, mas, não tenho agora vagar, nem me lembra nada que se tenha escripto a respeito da philosophia das mulheres.
Apesar da minha ignorancia n'este ramo (unico em que não sou profundo) tentarei, indulgentes leitores, iniciar-vos na philosophia de Maria Elisa, que foi, honra lhe seja, a mais fervorosa sacerdotisa do culto.
Nada mais boçal, mais rude, mais soez, mais detestavel que a figura, o abdomen, o palavriado, o suor, e o collete, do senhor Antonio José da Silva.
D'accordo.
Nada mais repulsivo que os seus tres papos, que as compressas dos colleirinhos reduziam a seis rofêgos, parecidos com o intestino mesenterio do cevado, que é a mais saborosa das tripas do tal animal (seja dito de passagem).
Nada mais displicente que os seus olhos azues, abertos a canivete, na franja d'uma pequena testa quadrada.
Nada mais abominavel que os seus quatro dentes em anarchia, impellindo, emparceirados com a lingua, perdigotos ás legiões, que orvalhavam, a quatro palmos de distancia, a physionomia dos circumstantes.
Nada mais irrisorio que a supina ignorancia das suas sandices amorosas, á mistura com anexins fastidiosamente vulgares, e momices mais ou menos grutescas, mas sempre ridiculas ou nauseabundas. E os callos, e os joanetes? tudo horrivel!
D'accordo.
Mas o dinheiro do senhor Antonio José da Silva! o dinheiro, atilados leitores, vêde bem que se trata de dinheiro, dinheiro em abundancia, placas de ouro e prata, cousas torpes e vis, confessemos que sim, mas cousas com que se compram as carruagens, os velludos, os setins, os jantares, os bailes, a consideração, os ouvidos, os olhos, as linguas, as pennas, as eloquencias, com que tudo se compra inclusivamente os romances, illustradas leitoras, e intelligentes bachareis!