Não quero! isso é cousa que se diga a um pae?

—Vmc.e não ha de querer a minha desgraça... Eu não posso ser feliz casando com o senhor Antonio... Antes quero ser criada de servir, ou trabalhar para viver...

—Rosa, não sejas creança. Olha que tu, casada com este homem, és muito rica, satisfazes todas as tuas vontades.

—Antes quero ser pobre... Tenho repugnancia em chamar meu marido a um homem que eu poderia estimar como avô... Não posso, é impossivel, meu pae. Mais facil me será morrer, que casar com elle.

—Visto isso, resistes á vontade de teu pae!

—Bem me custa; mas o pae ha de ter pena de mim; não ha de querer que eu seja desgraçada toda a minha vida.

—Não quero, não; e por isso mesmo é que te mando casar com o senhor Antonio José da Silva.

—Mate-me, se quizer; mas obrigar-me a casar, isso não.

—Das duas uma: ou casar, ou entrar já no recolhimento das orphãs em S. Lazaro.

—Entrarei no recolhimento, vou para onde o pae quizer que eu vá, até serei carmelita, se fôr da sua vontade.