Dera-se um forte motivo para a recusa teimosa de Elisa. Quando ao despedir-se do negociante, subia para a casa da regente, entregaram-lhe no caminho um bahú e uma chave. Elisa entendeu que eram os seus vestidos, que a attribulada amiga lhe mandava. Abriu o bahú para tirar um chaile, e viu tudo espedaçado. A indignação coincidiu com a vinda de Rosa, e Rosa, arrependida, correra ao Recolhimento para estorvar a entrega do bahú.
Era impossivel a reconciliação. Á ultima impertinencia de Rosa Guilhermina, a orgulhosa respondeu que podia já dar-lhe algum dinheiro por conta do que lhe devia, e remetteu-lhe a sacca com as cem peças que lhe deixára o negociante.
A filha de Anna arrojou-as ao chão, e sahiu furiosa, promettendo vingar-se da nova villania.
Maria Elisa ficou satisfeitissima d'aquelle rasgo, e sentiu, pela primeira vez na sua vida, que, sem dinheiro, ninguem póde ter rasgos, nem mesmo póde contar com que romancistas futuros se entretenham da sua pessoa.
Oh meu caro Antonio José! tu de astronomia não sabias muito; mas tinhas d'aquella cousa que faz descer os astronomos cá para baixo!
[CAPITULO XVII]
—Quem é aquelle peralvilho que bate á porta da D. Rosa?
Temos namoro, se dermos ouvidos á tia Bernarda Estanqueira, que mora na viella do Bomjardim, e que tem um ôlho na balança do simonte, e o outro, que por signal é vêsgo, na porta da filha do arcediago.
—Que berzabum de escanellado será aquelle, que parece que traz espartilhos! Valha-o a breca que tão tezo está! Aquillo não me parece homem cá do Porto! Parece mesmo um comediante d'aquelles que berram umas cantigas na casa das operas da Batalha... Ó tia Joaquina! (a tia Joaquina era uma visinha, que estava dobando ao sol) vmc.e não vê acolá aquelle ingarilho que já puxou duas vezes a sineta?
—Já vi.