—Tal era a differença que elle conhecera entre mãe e filha... Ora, pois; não soffra por tal motivo, minha menina... Quer-me para sua mãe?...

—De certo... queria.

—Eu estou-me a rir... Esta pergunta não devia fazer-lh'a, sem que a menina tivesse do caracter do meu Augusto um seguro conhecimento... Isso ha de vir com o tempo; e, se o coração lhe não repugnar, acceite-o como marido... Não é rico; mas o seu patrimonio é o amor que elle tem ao trabalho, e o seu talento que lhe promette creditos similhantes aos de seu pae, que tratava pouco dos seus interesses. De pae a filho vai grande differença. Um pensava no dia presente; o outro pensa no dia futuro... Tem sido bem grande a minha impertinencia, não é verdade?

—Pelo contrario, deleita-me a sua conversação, e captivo-me dos carinhosos desvelos que emprega na minha ventura... Oxalá que eu nunca desmereça no conceito da minha amiga...

—Espero que assim seja... Diz-me o coração que teremos de ser muito, muito amigas, que viveremos unidas muitos annos, e que fallaremos com prazer do bello dia que temos passado... Ahi vem o Augusto!... sempre com os livros de volta...

—São as Cartas a Sophia por Mirabeau... Não pensei que a senhora D. Rosa conheceria esta obra...

—Porquê?

—Não é muito propria para leitura de meninas.

—Que tem? Se eu entendo as ideias d'esses livros, é que elles não me dizem nada novo; e se as não entendo, nada perco da minha innocencia.

—Acaba v. s.ª de apresentar uma ideia que opéra uma completa revolução na minha maneira de encarar as novellas! Tem razão!... Vejo que é não só sublime, mas até rasoavel no seu systema!