As mulheres dos meus romances quasi todas são honestas pessoas, que se casam. Só quando de todo em todo não posso falsificar a tradição em honra das minhas heroinas é que as sacrifico ao nariz-torto das mães de familia, que, quasi sempre, exprimem com o nariz a sua justa indignação contra os romances em que os amantes não casam por fim.

Benignas senhoras, exultai, que a moral triumpha em todas as minhas obras. D. Rosa Guilhermina resolve casar-se na fórma do sagrado concilio tridentino e constituição d'este bispado com o senhor Augusto Leite. O juiz dos orphãos concedeu a licença, e o senhor Antonio José da Silva, embriagado da ventura propria, estimou que seu sobrinho arranjasse mulher com dinheiro, unica esperança, que elle negociante tinha de evitar as mendicantes perseguições de sua irmã.

Se imaginam que os noivos deviam dizer muito bonitas phrases, enganam-se. Namoraram-se pelas novellas, e liam ambos a pergunta e a resposta dos dialogos mais apaixonados. A senhora D. Custodia assistia a estas leituras, e lagrimejava de ternura.

A constante presença d'esta senhora ao lado d'elles, authorisa-me a dizer-vos que nunca as duas creaturinhas do Senhor tiveram occasião de adiantar-se um beijo por conta do matrimonio. Eu não sei que se tenha feito um namoro mais honesto que aquelle! É um gosto a gente encarregar-se de archivar estes casamentos que fazem honra ao genero humano! A intelligencia gosa, o coração consola-se, a virtude dança a polka, e o vicio envolve a cara hedionda no seu cache-nez!

Oh! Bemaventurados, em duplicado, aquelles que me lerem! O futuro fará justiça á candura das minhas intenções!

[CAPITULO XIX]

[O NOIVADO]

[DRAMA EM UM ACTO]

[PERSONAGENS]

D. Maria Elisa de Sarmento e Athaide.

Antonio José da Silva.

D. Angelica Athanasia da Silva.

João Alves Rodrigues }

Manoel José Fernandes} Convidados.

Joaquim João Baptista}

O snr. João Pereira, o do chinó.

Um encapotado.