—Porque não entra na carruagem?—replicou a carinhosa esposa, aproximando-se meigamente do marido, que fumegava pelas ventas, como uma fabrica de fundição.—Venha... eu lhe explicarei tudo... verá que estou innocente, ha de arrepender-se de me tractar assim...—proseguiu ella, com o tremor de voz, que precede as lagrimas.

—Como innocente!—murmurou o senhor Antonio, um pouco modificado nas caretas da sua furia legitima.

—Sim... innocente... Em casa lhe contarei tudo...

—Pois póde lá ser que estejas innocente?... Tu estás a mangar comigo!...

—Verá que não sou digna da sua cólera, e que os seus ciumes são injustos... A affronta que fez ao meu caracter de mulher casada, tarde ou cedo lhe fará remorsos, senhor Antonio José da Silva!...

O tragico entono d'estas palavras acobardára os espiritos briosos do marido. O senhor Antonio julgou-se algoz d'aquella victima; e, se ella teima, haviamos de vêl-o ajoelhar aos pés do innocente holocausto do seu ciume, e pedir-lhe perdão.

Maria Elisa, restituo-te os teus creditos! Andaste perfeitamente, por fim! Eu, se fosse mulher casada, com os teus costumes, faria o que tu fizeste.

Em 1819 ninguem faria mais do que tu!

Hoje... serias d'uma simplicidade boçal.

[CAPITULO XXII]