—Quer alguma cousa, mulher?

—Queria-lhe dar duas palavras, minha senhora.

—Então diga d'ahi.

—Eu bem queria dizer-lh'as de perto.

Rosa voltou-se para dentro, e mandou abrir a porta. A mulher subiu, e encontrou a senhora no topo da escada, perguntando-lhe o que queria.

—Venho pedir-lhe uma esmola.

—E para isso era necessario subir? Dissesse-o da rua, que eu mandava-lh'a lá dar.

—Uma teima assim!...—atalhou a colerica criada—Eu já lhe tinha deitado á rua dez reis, e ella não levantou do chão a esmola... O que vossê merecia sei eu...

—Não se zangue tanto, menina... Bem me basta a minha pobreza. Lembre-se que não está livre de chegar ao estado em que me vê... Outras mais ricas, e com bem melhores principios que os seus, teem tido este fim...

—De mais a mais quer dar leis!—interrompeu a cosinheira, animada pelo silencio approvador de sua ama—Sabe que mais, minha senhora? mande-a pôr no ôlho da rua, que, emquanto a mim, essa mulher não vem para fazer boa obra... Eu cá vou queimar arruda...