—Com a honra não se manga, senhor negociante de pannos! Se a sua arma é o covado, a minha é a espada, que herdei de meu vigesimo-quarto avó D. Alarico Themudo Pesicato! É forçoso que se bata, ou então que declare á face do céo e da terra que é um covarde. Dentro de vinte e quatro horas virei procurar a resposta. Se não quizer bater-se, hei de sacrifical-o aos manes de meus illustres avoengos, que do Olympo excitam a minha coragem! Não tenho mais a dizer-lhe, senhor!
—Venha cá... isto não é modo de tractar o homem de sua prima!... Se quer dinheiro, diga-o, e não esteja ahi a arrotar postas de pescada.
—Com que então chama o senhor a isto arrotar postas de pescada!... Muito bem! Hei de provar-lhe que as postas do seu corpo tambem se arrotam!... Passadas vinte e quatro horas, repito, um de nós será cadaver!
O neto dos Pesicatos sahiu. O senhor Antonio, atordoado com a seriedade do negocio, entrou no quarto de sua mulher.
—Que diabo de homem é este teu primo, ó Mariquinhas?
—Meu primo!... pois elle esteve cá?!
—Sahiu agora mesmo... O homem parece-me doudo!...
—Pois que fez elle?
—O que fez?... Quer que eu jogue a bordoada com elle!
—Porquê?