—Qual asneira?

—Pensei que o tal primo era algum rufião...

—Rufião!... Eu não entendo essa linguagem!

—Quero dizer que pensei que andava por ahi algum farropilhas a arrastar-lhe a aza!

—Então o senhor não sabe que minha prima pertence á veneranda linhagem dos Sarmentos e Athaides, e não consta que, na genealogia dos Pesicatos e Bemóes, se désse uma infidelidade porca e villã!... V. s.ª offendeu as cinzas de meus avós! Em nome de meu quarto visavô, João de Lencastre e Sarmento, e de fr. Zagallo, bispo de Constantinopla, exijo que me dê uma satisfação!...

—Não se arrenegue assim, senhor Pedro... Um marido póde enganar-se muitas vezes com sua mulher!

—Mas eu, neto de heroes, é que não admitto enganos taes! As suspeitas são affrontas! V. s.ª affrontou-me na pessoa de minha prima! Insto pela satisfação! Na França entre cavalheiros é costume disputar-se a honra á ponta de espada. V. s.ª ha de bater-se comigo!

—Eu!... essa é que é daquella casta!... Pois eu, sem mais nem menos, hei de agora jogar a tapona com o senhor, porque se me afigurou que minha mulher não era tão boa como se dizia! Ora, senhor primo, deixe-se d'isso... Eu não sei cá d'esses costumes dos francezes... Que os leve o diabo e mais quando elles cá vieram...

—Não me importam os francezes! Importa-me a honra de meus avós, insultada em minha prima D. Maria Elisa de Sarmento e Athaide. Senhor Antonio! Dentro em vinte e quatro horas um de nós estará na eternidade!

—O senhor, por mais que me digam, está a mangar comigo, ou não regula bem da cabeça!