—Não sei... Sabes que mais? Mette um salpicão no pucaro, e leve berzebum as paixões, e quem com ellas engorda.
—Olha cá, Antonio... Não te quero assim... Pareces-me mesmo nos modos com os chichisbeos que vão ao theatro, e á missa das dez a S. Bento, por causa das freiras, que, Deus me perdôe, podem bem com a sanctidade que teem!... Andam sempre alli pelas grades aquellas namoradeiras, que nem me parecem religiosas, e esposas do Cordeiro immaculado, e fallam da vida do proximo!... Valham-me as cinco chagas, e a benta cruz.
—Vai pôr a mesa, mulher, e olha lá o que essa rapariga está a fazer, que eu vejo d'aqui o filho do retrozeiro á janella...
—Ah! vês? Não que ella faz-lhe amor de cá...
—Tu viste?
—Disse-m'o a Escolastica.
—Que leve a breca a tua Escolastica, que o meu gosto era dar-lhe com o covado no costado...
—Sancto nome! Tu que dizes, homem? Aqui cahe raio. Pede perdão á servinha de Deus, senão as palavras não te aproveitam...
—Que palavras?
—As palavras que hão de fazer com que a Rosa ande atraz de ti como a linha atraz da agulha. O caso é ter fé. Se as disseres, tu verás, Antonio!...