—Elle não se chama Pedro?
—Sim... elle... chama-se... Pedro.
—Pois então ahi está... É elle mesmo... deu-me todos os signaes certos da Ponte-da-Pedra.
—E que lhe disse?
—O homem fallou bem, a respeito de não ter meios, e fez-me cá no coração uma certa aquella; mas, depois, parecia-me um maluco chapado, lá com as suas valentias. É preciso saber como isto ha de ser; eu não quero historias com elle. Manda-lhe dizer que se deixe de asneiras, se quer ter que comer e vestir em minha casa, ouviste, Maricas?
—Pois sim; mas eu ignoro a sua residencia. Quando elle cá tornar, chame-me, e eu verei como se remedeiam as loucuras do meu primo.
O senhor Antonio, um pouco mais socegado, relatou, pouco mais ou menos, a sua mulher o dialogo que tivera com o descendente do bispo de Constantinopla. Maria Elisa ouvira-o, afflicta com vontade de rir-se, e, ao mesmo tempo, vexada de ter um marido, que se prestava assim ao ridiculo. Era bem natural esta mortificação do amor proprio.
A conversação foi interrompida pela chegada de dous senhores, que precisavam immediatamente fallar com o senhor Silva.
—Temos alguma!...—murmurou o negociante, e entrou na sala onde o esperavam dous officiaes de cavallaria, de grandes bigodes, e caras de arremetter.
—Quem são v. s.as?—perguntou o assustado dono da casa, apenas os encarou.