—Somos embaixadores de Pedro José de Sarmento e Athaide!—respondeu um d'elles, arqueando os braços, e levantando a caneca com orgulhoso entono.

—Embaixadores!... e que me querem os senhores embaixadores?

—Advertil-o de que é desafiado pelo nosso amigo...

—Ora, deixem-se d'isso!...—interrompeu o senhor Antonio, fingindo que recebia a intimação com gracejo—V. s.as estão a brincar... Queiram mandar-se sentar.

—A nossa missão cumpre-se de pé... e v. s.ª ha de responder-nos tambem de pé! Queira tirar o seu barrete, por que nós tambem estamos descobertos. As formaes solemnidades d'este acto não permittem distincções de cavalheiro para cavalheiro. Repito, senhor! Queira descobrir-se!

—Eu estou em minha casa, posso estar como quizer.

—N'este momento a sua posição é outra. O homem desafiado não se considera em sua casa, emquanto a sua honra não está illibada, porque o homem deshonrado não tem casa, nem propriedade, nem direito! Descubra-se!

O senhor Antonio tirou o barrete, e emmudeceu na presença de similhante insolencia.

—Muito bem... Responda agora: quer bater-se em leal duello com o senhor Pedro José de Sarmento e Athaide Pesicato?

—Não quero lá saber d'essas cousas, já lh'o disse a elle, e não me façam azedar o estomago, senão eu mando chamar o meirinho geral, e os senhores são catrafiados e mais elle na Relação.