Que me eram tão indifferentes depois como antes, mas que muito ingenuamente estimava que ellas fossem taes, que nunca a excellente senhora tivesse de soffrer por ellas;
Que acceitava a offerta da sua estima, porque já não podia aspirar a outros triumphos no coração das mulheres, que sabiam separar a amizade do outro sentimento que a hypocrisia vestiu com os arminhos emprestados d'uma affeição nobre;
Que, na minha posição, não podia dar-lhe mais consolações do que as muito poucas que um homem qualquer póde offerecer no serviço de qualquer senhora, que precisa d'um criado.
Penso que foi isto, pouco mais ou menos, o que eu escrevi. São passadas vinte e quatro horas. Não tenho nada a accrescentar a este episodio, e creio que terminará aqui.
Não concebo bem o que esta senhora quer de mim! Não creio n'estas fascinações momentaneas, porque as não entendo, ou o meu coração está muito abaixo d'esses vôos.
O que em verdade lhe digo, minha boa amiga, é que não preciso recordar os juramentos que fiz a Helena, dous dias antes da sua morte, para vencer a impressão que Rosa Guilhermina me poderá ter feito. É nenhuma. Posso esperar com firmeza e animo frio a perseguição. Nem, ao menos, a lastimo, porque a febre da imaginação ha de mitigar-se, e, quinze dias depois, esta mulher terá por mim um sentimento de resentido orgulho que ha de salval-a. Entende-o assim?
De v. exc.ª
Grato amigo,
Paulo.
V