Contive-me durante dous dias de tribulação incessante. O coração dizia-me que Rosa me escreveria. Li a carta que recebera com indifferença, e passei por a minha alma todas aquellas palavras. Achei-as sinceras... Acarinhei-as com soffreguidão... Recordei o que ella me dissera, depois. Accusei-me de ingrato. Tive orgulho do meu rival. Receei ter parecido um ente indigno de tamanho amor! Senti ciumes... Queria vêl-a... Precisava de lhe esconder metade de minha alma, revelando-lhe uma pequena parte dos meus sentimentos...
E procurei-a... Não sei o que lhe disse... Recordo-me que lhe apertei a mão com ardor; que lhe pedi lagrimas de piedade, e coragem para não transgredir um juramento... Penso que me não entendeu, porque me respondeu com um sorriso, e fugiu de ao pé de mim com a face abrazada...
E, desde esse dia, escrevo-lhe a todas as horas. Não lhe mostro as minhas cartas, porque não posso convencer-me de que o meu coração está n'ellas... É impossivel!... Aqui ha uma fascinação!... Eu não posso ter esquecido Helena!...
Preciso hoje da sua companhia, minha querida amiga!... Escrevi o que não ousaria pronunciar...
De v. exc.ª
Grato amigo,
Paulo.
VIII
25 de outubro
A ingratidão é punida. Principio a expiar o perjurio. Helena vai ser vingada por esta mulher, que, traiçoeiramente, me assaltou o coração, quando eu me julgava de ferro para as paixões.