—É isto que lhe digo. Pela arvore se conhece o fructo. Se vmc.e fosse um homem de conhecimentos, e não viesse aqui para esta rua de tamancos e barrete vermelho daria outra educação aos seus filhos.
—E vmc.e d'onde veio?—interpellou a senhora Anna, fechando os punhos na cintura, e dando-se, pelo vermelhão da cólera, a figura d'uma bilha de barro—Não me dirá a sua linhagem, senhor Antonio da tia Catharina, que eu conheci na Ponte-Nova fazendo camizas de estôpa para os embarcadiços! Olhe o fidalgo, que nos vem fallar em tamancos! Que me dizem a isto? Lembre-se que sua avó vendeu tripas na viella da Madeira...
—Cale-se ahi que vossê é uma regateira; eu não fallo comsigo.
—A minha mulher, regateira?
—Eu, regateira?
—Ponha côbro na lingua.
—Se não, topa com a fôrma do seu pé...
—Sahe a racha ao pau—interrompeu o rival de José Bento, que não dizia palavra—vmc.e ha de sempre mostrar que vendeu hortaliça no largo das Freiras. É a filha da Canastreira, e basta.
—E sua irmã, a beata que traz cilicios depois de velha, quem é, não me dirá?
—Não falle em minha irmã, ouviu?