—E vmc.e para que falla em minha mãe?

—Porque, se vossê tivesse vergonha não estava aqui a crear este mandrião...

—Faço eu muito bem, que é meu filho, e filho do meu marido, com quem sou casada á face de Deus e do altar, na igreja da Victoria... E sua irmã porque não cria os d'ella?

—Qual minha irmã?

—Sua irmã Angelica.

—Vossê está bebeda logo de manhã?

—Bebedo será elle, e mais quem o veste. Pois que cuida? Acha que a gente se calava por não ter tanto? Se tem muito, coma duas vezes, nós comeremos uma, porque não desfructamos os rendimentos da legitima das filhas dos padres.

—Cale-se ahi, sua desbocada! Vossê tem alguma cousa a dizer a minha irmã? Encontrou-a lá por casa dos Amorins da Praça-Nova, onde vossê arranjou com boas bullas o dote do seu casamento?

—Vmc.e é um patife—atalhou o retrozeiro, sériamente envinagrado—e se não sahe de minha casa...

—Deixa-me responder-lhe, João... com que então eu ganhei o meu dote em casa dos Amorins, heim! E sua irmã? e a sua irmã que reza a via-sacra, e anda por casa das benzedeiras? Que fez ella tres mezes mettida na cella do congregado?