O assim era um empurrão na sua companheira. A porta, mal fechada, não susteve o impeto, e Rosa foi de encontro á velha Clemencia, que dava um terceiro pulinho em louvor de Sancta Quiteria, e do provedor da Sancta Casa. O choque foi desastrado! Aterradas as duas irmãs, que não podiam sustentar-se sobre a esboroada peanha de oitenta annos cada uma, cambalearam e cahiram, guinchando de modo que a turba das raparigas alvoroçadas veio, por assim dizer, peorar a sua situação.

Entre as que vieram estava Maria Elisa, perguntando ás pobres velhas quem as atormentava.

—Era o demonio!—disse Clemencia.

—Em corpo e alma!—accrescentou Rita.

—Tragam agua benta, e a regra do patriarcha S. Bento—disse a regente.

—Emquanto as abluções demonifigas se faziam na cella endemoninhada, Maria Elisa contava a Rosa o primeiro capitulo do Cavalheiro de Faublás.

[CAPITULO VII]

Os planos, que o arcediago incubára no seu profundo saber do coração humano, abortaram. Sahia-lhe tudo ao envez das suas esperanças. Previra a humildade de Rosa, depois das mortificações da reclusão; e Rosa cada vez mais contente, agradecia ao pae, que a procurava todas as semanas, a lembrança de a castigar com o recolhimento.

No principio, a regente era instada para augmentar as privações da educanda; mas as privações não podiam ser dadas como supplicio a uma menina que vivia contente, e cumpria com regularidade e promptidão as poucas obrigações de pensionista.

O zêlo pharisaico do arcediago afrouxou, porém, com a frieza do senhor Antonio José da Silva. A catastrophe ridicula, de que fôra victima o esmurrado negociante em casa do João retrozeiro, modificou-lhe consideravelmente o coração, a respeito de Rosa Guilhermina, pomo de discordia, e causa desastrada de similhante conflicto.