—Perguntaram-me se eu era...

—Um burro? e tu disseste-lhe que sim.

—Não foi isso... perguntaram-me se...

—És um asno quadrado! Ouviste, lôrpa? Se te vir outra vez a fallar com as visinhas, escangalho-te as mãos! Não tens habilidade para traduzir mundus á domino constitutus est, e sabes dar tréla ás raparigas!? Ora deixa estar que te farei a cama!...

A crise passou, e José Bento n'esse dia apenas teve, como era de costume, um bofetão e um puxão de orelhas, por causa do imperativo laudandum.

No dia immediato, as meninas não o viram; mas, no outro, Rosinha viera adiante esperar a sua amiga para colherem rosas do Japão, quando ouviu o som roufenho da voz conhecida de José Bento:

—Senhora Rosinha, assim é que vmc.e se porta comigo?

—Ah!... estava ahi?!...

—Pois então! cuida que eu me esqueci de si? Ficou de me escrever, e foi como se nada!... Olhe lá como vmc.e é!

—Não pude, senhor José... e tenho a dizer-lhe que é melhor não me fallar, que meu pae ralha-me. Faça de conta que nunca nos vimos. Aquillo que nós dissemos foi uma brincadeira de creanças. Trate do seu estudo, e não se embarace comigo, porque eu tenho muito medo a meu pae...