—Sempre vmc.e é... d'aquella casta! E eu a pensar em si todos os dias, e sempre a esperar noticias suas, ha quasi um anno!... Então eu já não sou o mesmo?

José Bento proseguia n'uma tirada eloquente contra a perfidia de Rosa, quando o vulto austero do mestre de latim surgiu de improviso ao lado do pallido estudante. Ao mesmo tempo, chegava Elisa, rindo muito da surpreza, e Rosa punha os olhos no chão, e cortava machinalmente uma rosa menos purpurina que ella.

—Chegue-se aqui!—disse o mestre ao rapaz aproximando-o do muro, que dividia os dous quintaes—Ó meninas!

—Que quer?-perguntou Elisa.

—Os meus discipulos ensinam-se assim. Dê cá a mão, seu lôrpa!

José Bento, córado como um mólho de malaguetas, recuou diante da palmatoria, cuja cabeça o espreitava por debaixo do capote de saragoça.

—Dê cá a mão! Vossê não obedece? Olhe que o mando pendurar n'aquella figueira.

—Como Judas Iscariote—atalhou Elisa, fungando, e esfregando as mãos.

O infeliz déra a mão, e quatro sonoras palmatoadas lhe estouraram na epiderme. A dôr moral devia ser grande! Rosa estava pallida, e Elisa, de repente, séria, disse ao professor:

—Se eu fosse elle...